Farmacoterapia intraocular

Farmacoterapia intraocular 2016-07-29T12:08:02-04:00

Há cerca de uma década, o tratamento do edema macular diabético ou associado a oclusões venosas da retina com laser era a melhor opção para se evitar a perda visual, tendo-se também poucas opções, além da terapia fotodinâmica, no tratamento de degeneração macular relacionada à idade (DMRI) exsudativa. Com o desenvolvimento da farmacoterapia e a administração intravítrea de medicamentos, novas perspectivas surgiram para o tratamento das condições acima citadas, particularmente com a administração intravítrea de drogas contra o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), destacando-se o bevacizumabe, ranibizumabe e aflibercepte.

Inicialmente, vários estudos contribuíram para definir o papel do bevacizumabe em DMRI neovascular (Costa et al., 2006; Michels et al., 2005) e retinopatia diabética (Jorge et al., 2006, Michaelidis et al., 2010 ), como uso off label, enquanto as evidências do uso do ranibizumabe intravítreo foram consolidadas por estudos multicêntricos em DMRI neovascular (Rosenfeld et al., 2006; Brown et al., 2006) e, depois, em retinopatia diabética (Nguyen et al., 2012), e em outras retinopatias vasculares, como as oclusões venosas de retina (Epstein et al., 2012; Campochiaro et al., 2010). Mais recentemente, o aflibercepte demonstrou eficácia similar ao ranibizumabe, porém com algumas vantagens com relação à posologia, particularmente para a DMRI exsudativa.

As drogas anti-angiogênicas têm sido amplamente utilizadas no tratamento de distúrbios vasculares coriorretinianos (ADAMIS et al., 2006; COSTA et al., 2006; COSTA et al., 2007; GONZÁLEZ et al., 2009; HEIER et al., 2006; ROSENFELD; MOSHFEGHI; PULIAFITO, 2005a; ROSENFELD; FUNG; PULIAFITO, 2005b; ROSENFELD; RICH; LALWANI, 2006; SPAIDE et al., 2009; TONELLO et al., 2008). A inibição do VEGF por estas drogas é capaz de induzir à regressão neovascular e combater os fenômenos exsudativos (AVERY et al., 2006a, JORGE et al., 2006, PACCOLA et al., 2008), nos quais o VEGF é um fator importante (CHUN et al., 2006). O método de administração destas drogas, por meio de injeção intravítrea, é seguro e com baixos riscos inerentes ao procedimento (JAGER et al., 2004).

Além das drogas anti-angiogênicas, corticosteróides também podem ser administrados intravítreo, inclusive em modo de liberação prolongada, o que facilita o controle de doenças inflamatórias e exsudativas oculares em longo prazo.

Desta forma, a administração intravítrea de medicamentos é amplamente utilizada na atualidade como procedimento minimamente invasivo e eficaz no tratamento de de várias doenças vitreorretinianas. Entretanto, para que os benefícios do tratamento sejam atingidos, diagnóstico preciso e acompanhamento regular devem ser realizados. Novas pesquisas apontam para o desenvolvimento de outras drogas que possam beneficiar diversos tipos de morbidades oculares.

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